Reunião do Vez e Voz debate saúde mental das mulheres no ambiente de trabalho


A Comissão Vez e Voz realizou, no dia 5 de fevereiro, mais uma reunião, desta vez em formato virtual, reunindo mais de 90 participantes, entre representantes de empresas, entidades associadas e parceiros. A gerente de Comunicação da FETCEMG, Isabella Antunes, que também integra a vice-coordenação do Vez&Voz, representou a entidade na reunião.

A abertura do encontro foi conduzida pela vice-coordenadora da comissão, Gislaine Zorzin, que deu as boas-vindas aos participantes e apresentou o novo apoiador do Vez e Voz, a ADEMICON, reforçando a importância das parcerias para o fortalecimento das ações da comissão.

Na sequência, o psicólogo Micael Vital ministrou a palestra “Saúde mental das mulheres no trabalho”, trazendo reflexões fundamentais sobre o tema. O palestrante destacou que saúde mental não se resume à ausência de transtornos, mas envolve a capacidade de lidar com as demandas da vida, sustentar senso de pertencimento, trabalhar de forma produtiva e construir vínculos.

Durante a apresentação, Micael enfatizou que o ambiente de trabalho pode atuar tanto como fator de risco quanto como fator de proteção à saúde mental, dependendo diretamente da cultura organizacional — que nunca é neutra. Segundo ele, essa cultura pode promover saúde e proteção ou, ao contrário, contribuir para o adoecimento.

O palestrante também abordou como as desigualdades de gênero atravessam expectativas sociais, distribuição de responsabilidades, reconhecimento profissional e violências simbólicas e estruturais. Ressaltou que o debate não se trata de excluir homens, mas de reconhecer desigualdades reais e historicamente construídas, como a entrada tardia das mulheres no mercado formal e o acúmulo de papéis produtivos e reprodutivos.

Entre os principais fatores de risco à saúde mental das mulheres no trabalho, foram citados a sobrecarga emocional, a falta de reconhecimento, o assédio moral e sexual, a comunicação violenta, a baixa previsibilidade e controle sobre as demandas e culturas organizacionais que naturalizam o adoecimento.

Micael Vital destacou ainda a atualização da NR-1, que passa a incluir os riscos psicossociais, reforçando a responsabilidade das empresas em identificar, avaliar e gerenciar esses fatores. Nesse contexto, o papel da liderança foi apontado como central, podendo atuar tanto como fator de proteção quanto de risco, por meio de práticas como escuta qualificada, comunicação respeitosa, gestão adequada de demandas, definição de limites e promoção da segurança psicológica.

Ao final, o palestrante provocou os participantes a refletirem: “Que tipo de ambiente a sua liderança ajuda a sustentar?” e reforçou caminhos possíveis para avançar do discurso à prática, como políticas claras contra o assédio, espaços de escuta, flexibilidade responsável, capacitação de lideranças e ações preventivas.