Preço dos fretes em Minas deve sofrer reajuste de até 5%


O aumento no preço do óleo diesel já impacta o setor de transporte de cargas de Minas Gerais. Com os negócios desaquecidos em função do cenário econômico adverso, as empresas do Estado estão tentando ao máximo não repassar a alta para os fretes. Porém, com margens já bastante apertadas, os reajustes - que devem variar de 4% a 5% dependendo do volume transportado - podem ocorrer nos próximos dias.

"O combustível é um dos nossos maiores custos. Somente no setor de cargas fracionadas a mão de obra é mais relevante. Com isso, não há como segurar e não repassar o aumento do diesel", alerta o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Vander Francisco Costa.

Ele explica que as transportadoras não vivem um bom momento. E, diante do impacto dos custos no lucro das empresas, o aumento do diesel é mais um entrave para o setor.

"o ano passado foi ruim para os negócios. O segmento de transporte de cargas passa por transformações importantes, principalmente após sua regulamentação. Nesse sentido, só vai continuar no mercado aquela empresa que for organizada, atuar de forma profissional, exigindo contratos com remuneração justa", alega.

Conforme Costa, muitas aceitam trabalhar por valores que não cobrem os custos. "Isso não pode acontecer mais. Por isso, acredito que 2015 vai ser um ano difícil. Quem não souber calcular custos e negociar preço justo não vai sobreviver", alerta.

De acordo com a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), até 37% dos custos do transporte de cargas vêm do diesel. Mas para o diretor do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Minas Gerais (Sinditac), André Apolônio, os gastos com combustíveis chegam a 50% dos custos totais e agora, após o aumento do diesel, já chegam a até 60%. "Com isso, sobra 40% para as demais despesas. Como ter lucro desse jeito?", questiona.

Mineradoras - Além disso, o dirigente alega que os transportadores têm tido muita dificuldade em negociar o preço do frete com os clientes, principalmente as mineradoras, já que o preço do minério de ferro caiu muito no mercado internacional. Dessa forma, muitos caminhoneiros estão parados ou sendo obrigados a abandonar o setor. Muitos também estão inadimplentes no financiamento dos veículos. "Quem comprou caminhão nos últimos anos está em apuros. Eu mesmo estou com duas parcelas atrasadas e não sei como farei para regularizar. Não é uma questão de aumentar as margens, porque na verdade nós não temos lucro há bastante tempo. A situação está feia e não vejo sinal de melhora em 2015", lamenta. O aumento de impostos sobre os combustíveis que levou ao reajuste do diesel e da gasolina faz parte do pacote do governo para tentar reequilibrar as contas públicas. A medida procurar reverter a fraca arrecadação do ano passado.

Fonte: Diário do Comércio