Frete tem alta de 2,3% em Minas no mês de maio em relação a abril, mas setor continua sofrendo com custos elevados

Atividade essencial da economia mineira e brasileira, o segmento de transportes segue enfrentando dificuldades para manter seus custos controlados em 2026. E o cenário não parece ter solução de curto prazo. Segundo análise do Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), elaborada com dados da plataforma Repom, Minas Gerais e a região Sudeste registraram alta no valor do frete no mês de maio em relação a abril. No Estado, o valor médio do frete foi de R$ 8,27 em maio, registrando alta de 2,3%, pois em abril o preço médio do frete ficou em R$ 8,08. A média dos estados do Sudeste atingiu R$ 8,51 do valor de frete, também acima do mês de abril, que teve valor médio de R$ 8,34.
Queda nacional
Já o preço médio do frete por quilômetro rodado no Brasil encerrou maio em R$ 8,59, ante R$ 8,66 registrados em abril, o que representa uma leve queda de 0,81%. O IFR é um índice do preço médio do frete, e sua composição é levantada com base em dados de 8 milhões de transações anuais de frete e vale-pedágio administradas pela Edenred Repom.
“A leve redução do frete em maio reflete diretamente a acomodação dos preços do diesel. No entanto, o comportamento da demanda será o principal fator para a definição dos rumos do mercado nos próximos meses. De um lado, temos um agronegócio forte; de outro, a indústria dá sinais de retração, enquanto o setor logístico precisa absorver os efeitos das novas exigências relacionadas ao Ciot [Código Identificador da Operação de Transporte]“, analisa o diretor de unidades de negócio da Edenred Mobilidade, Vinicios Fernandes.
Abaixo da média
Pelo valor levantado pela Edenred, em maio o valor do frete em Minas é 3,32% menor do que a média nacional. No Sudeste, a queda é de ,2,51% quando o referencial é a média da região para o mês passado.
Setor sofre
Segundo o vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado de Minas Gerais (Setcemg), Adalcir Lopes, outros fatores, além do preço do diesel, têm contribuído para que o frete fique menos atrativo, mesmo com um aumento na média de abril para maio.
“A situação do frete em Minas Gerais já vem, há tempos, defasada em torno de 20%. Com os aumentos de custos que tivemos agora, especialmente em relação aos salários, por conta da nova negociação coletiva, tivemos que conceder um ganho real, porque a categoria realmente merece. Também foi necessário reajustar as diárias, o vale-alimentação e os planos de saúde”, explica o dirigente.
“O setor de frete convive com esse desequilíbrio desde 2014. Ao longo dos anos, essa defasagem vem se acumulando e nunca conseguimos repor o ganho econômico da nossa atividade. O frete vem ficando cada vez mais defasado e, todos os anos, enfrentamos essa luta para buscar um patamar que permita manter as margens do setor, mas não temos conseguido. Essa é a situação do frete atualmente”, completa.
Motivos da queda
A redução do frete em comparação a abril foi impulsionada, principalmente, pelo alívio dos custos operacionais decorrente da queda dos preços do diesel em todo o País. De acordo com o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), que acompanha o comportamento dos preços praticados nos postos de combustível, o diesel S-10 recuou 3,81% em maio, fechando o período com valor médio de R$ 7,32 por litro. Já o diesel comum apresentou queda de 4,42%, atingindo média de R$ 7,13 por litro.
Além dos desafios econômicos, o setor de transporte também precisa se adaptar a mudanças regulatórias. Entre elas, destaca-se a entrada em vigor das novas regras do Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot), que ampliam a obrigatoriedade de emissão para operações de transporte próprio e introduzem mecanismos automáticos de conferência para reforçar a fiscalização do piso mínimo de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Intervenção do governo e cenários
Enquanto o agronegócio mantém alta demanda de escoamento, gerando maior procura por fretes, o cenário ainda é cercado de incertezas. A indústria brasileira começa a dar pequenos sinais de desaceleração. O Índice de Gerentes de Compras (PMI), da S&P Global, recuou de 52,6 pontos em abril para 49,1 em maio, indicando retração da atividade manufatureira e redução das novas encomendas. Esse cenário pode se intensificar diante de novas barreiras comerciais, como o aumento das tarifas adotadas pelo governo norte-americano, que já afeta setores exportadores relevantes, entre eles os de processamento de madeira e café, o que pode impactar diretamente o valor final do frete.
Para o vice-presidente do Setcemg, mesmo com o esforço do governo federal em mitigar os problemas do setor por meio do controle do preço do diesel, o efeito tende a ser paliativo, sem solução mais duradoura. “Apesar do esforço do governo para manter o preço do diesel, sabemos que a Petrobras não conseguirá reduzir o valor do combustível. Com isso, a defasagem vai acumular ainda mais a necessidade de repassar todos esses aumentos de custos. Nosso setor em Minas Gerais vem sentindo esses impactos, assim como todo o Brasil”, comenta.





