A Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg) e o Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Setcemg) vêm publicamente manifestar-se sobre o movimento de paralisação realizado pelas rodovias de todo o país nesta semana contra a alta no preço dos combustíveis.
Desde julho de 2017, quando a Petrobras adotou uma nova forma de precificação dos combustíveis, com aumentos quase que diários, o preço do óleo diesel subiu 59,62%, causando uma defasagem de 23,85% no valor dos fretes. Isso traz repercussões negativas tanto para o equilíbrio dos negócios do setor quanto para a sociedade, que tem percebido aumentos nos preços em cadeia.
Desde então, o Setcemg tem alertado suas associadas para que repassem o valor da diferença em seus contratos junto aos embarcadores, como uma forma de manter a saúde financeira de suas empresas. Agora, o Sindicato também alerta as empresas para tomarem o máximo de cuidado ao colocarem seus veículos nas vias públicas a serviço do abastecimento do país, pois, além de colocarem em risco a vida da sua força de trabalho, as empresas correm o risco de não terem possíveis sinistros acobertados pelas companhias de seguros.
O Setcemg também alerta as empresas para que mantenham o princípio da transparência com seus clientes e os informem sobre a inviabilidade de manter os prazos acordados anteriormente para as entregas.
Espera-se que tanto a estatal quanto o governo revisem urgentemente suas políticas tributárias e revejam esta política que inviabiliza as atividades das empresas e ocasiona custos imensuráveis para toda a sociedade.
A Petrobras é a grande responsável pelo desabastecimento do país decorrente da greve dos caminhoneiros. As entidades representativas das empresas de Transporte de Cargas vêm alertando a Petrobras do risco desde o ano passado. Em dezembro de 2017 a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) conseguiu reunião com a Diretoria da Petrobras no Rio de Janeiro e representantes do Brasil, inclusive de Minas Gerais estiveram presentes relatando os riscos e a dificuldade de conviver com as variações de preços constantes.
No começo deste ano, as entidades nacionais representativas do Transporte reiteraram preocupação ao Governo Federal, reiterando o pedido de reunião com a Presidência da Petrobras, para relatar problemas e propor soluções, que manteriam a política de equiparação de preços ao mercado internacional, mas viabilizando a atividade econômica brasileira. Os pedidos de reunião foram negados.
Cabe registrar ainda, que neste momento de constantes aumentos dos preços dos combustíveis é indispensável a sensibilidade dos embarcadores autorizando rápido repasse dos aumentos para os fretes. Já viemos a tempos com os preços defasados e não temos gordura para queimar. O óleo diesel é item muito importante em nossa cadeia de produção e o reajuste de frete deve acompanhar a volatilidade dos preços do óleo diesel praticados pela Petrobras.
Sem entrar no mérito da greve, entendemos ser oportuno trazer estes esclarecimentos à população que, como nós, sofre com o desabastecimento decorrente da indisposição ao diálogo por parte da Petrobras.
Belo Horizonte, 23 de maio de 2018
Fetcemg e Setcemg