Empresas não repassam aumentos


Diante da perda de ritmo da economia brasileira, as transportadoras de Minas Gerais não conseguiram repassar integralmente para o frete o aumento médio de 15% a 20% nos custos registrado neste ano, segundo o presidente da Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Vander Francisco da Costa. Em 2012, elas reajustaram as tabelas entre 3% e 7%.De acordo com o presidente da entidade, diversos fatores pesaram nas despesas das empresas de transporte neste exercício. Entre eles, Costa destaca o aumento do óleo diesel. Conforme ele, o preço do combustível está subindo gradativamente nos postos e a alta já alcançou aproximadamente 20%.Outro fator apontado pelo presidente da Fetcemg é o aumento da folha salarial. O reajuste da categoria ficou em 8%, impactando fortemente os custos. "Além disso, tem o problema da jornada de trabalho dos motoristas", acrescenta. Publicada em maio deste ano, a Lei nº 12.619 limitou a quatro horas o período em que os caminhoneiros podem dirigir sem intervalo. Passado esse período, os motoristas devem parar por 30 minutos para descansar. A norma implica ainda em descanso de 11 horas a cada dois dias de trabalho. O presidente da federação explica que alguns setores podem ter conseguido melhores resultados nas negociações com os clientes, em função de uma demanda melhor. Entre eles estão as empresas de carga fracionada, além daquelas que atuam no transporte agrícola. "Porém, quando a safra acabar o frete volta ao preço normal", diz. O diretor da Empresa de Transporte Martins e diretor-secretário do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Setcemg), Ulisses Martins Cruz, diz que os transportadores fizeram pequenas revisões nas tabelas no primeiro semestre, mas a maior parte dos reajustes ocorreu na segunda metade deste ano. De acordo com ele, caso seja verificada uma melhora na atividade industrial no país haverá novos reajustes no frete no próximo ano, uma vez que os repasses realizados em 2012 não cobriram as despesas operacionais. Martins explica que, além do aumento nos combustíveis e mudanças nas leis, a infraestrutura do país também tem prejudicado o setor. "As empresas no Brasil estão sofrendo um terrível impacto", afirma.
ALISSON J. SILVAA questão da mobilidade urbana também tem aumentado as despesas do segmento no EstadoMobilidade -Além de estradas mal conservadas, a questão da mobilidade urbana também tem aumentado as despesas do setor. Segundo o empresário, o problema deixou de ser exclusivo das grandes capitais e o entrave é verificado também em cidades de menor porte no interior do Estado. "Isto gera um impacto de aumento de mão de obra e de caminhões", explica.O diretor da Lenarge Transportes, sediada em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), Márcio Afonso de Morais, afirma que houve uma acomodação do frete em 2012 para a maior parte do segmento. Porém, em alguns casos os impactos foram menores. A Lenarge, por exemplo, atua na carga de granéis para as siderúrgicas e cimenteiras, que operam com grandes volumes. Segundo Morais, este perfil acaba por criar um bônus no frete. "Mas é temporário e assim que a necessidade diminui ele desaparece", diz. Conforme o empresário, o setor está em fase de negociação com os clientes para conseguir repassar parte dos custos deste ano. Conforme ele, dependendo do segmento a necessidade de repasse pode ficar entre 20% e 30%. Fonte: Diário do Comércio 19/11/2012